Sustentabilidade e igualdade de gênero é tema de roda de conversa no Dia da Mulher

 

Crédito: Reprodução/Internet

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O evento contou com a representatividade de diversos setores da sociedade

 

Experiências de vida e de luta de mulheres ligadas à temática ambiental foram colocadas em debater em roda de conversa promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) em homenagem pelo Dia Internacional da Mulher, na segunda-feira (08/03). Organizado pela Subsecretaria de Gestão Ambiental e Saneamento (Suges), a roda de conversa reuniu representantes de diversos setores da sociedade que partilharam suas vivências no desenvolvimento sustentável e na luta pela igualdade de gênero.

 

Entre as participantes do debate esteve a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Marília Melo, que fez a abertura do evento parabenizando a o movimento das mulheres que batalham por mais espaço de representantes femininas na sociedade. “É o momento de discussão e reflexão. Por mais que tenhamos ocupado espaços, as tarefas domésticas ainda não são divididas igualmente. Então nossa luta é cotidiana”, disse.

 

Marília, que é a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, exemplo de várias mulheres que são protagonistas em seus postos de trabalho no Governo de Minas, como a coordenadora adjunta da Defesa Civil de Minas Gerais, a Tenente-Coronel, Graciele Rodrigues; a presidente da Emater-MG, Luisa Barreto, dentre outras.  “É preciso que todas nós, que somos responsáveis por cuidar do meio ambiente de Minas Gerais, nos engajemos cada vez mais nessa luta e que busquemos sempre contemplar a inclusão produtiva e integrar a perspectiva de gênero nas políticas e programas ambientais e de desenvolvimento sustentável”, disse.

 

Debate

 

superintendente de Gestão Ambiental da Semad, Fernanda Wasner, foi a mediadora do debate e coordenou a roda de conversa sobre a sustentabilidade, trazendo a questão de gênero como tema transversal. Durante o bate-papo, a cacique da Aldeia Tuxá, Anália Tuxá compartilhou sua experiência como mulher indígena na luta pelo meio ambiente. Posteriormente, Tuxá proferiu um cântico em homenagem à mãe terra e uma oração de origem indígena voltadas às mulheres que foram diagnosticas com a Covid-19.

 

A cacique ainda ressaltou que a preservação dos recursos naturais, como a terra e a água, está diretamente relacionada à vida. “Temos que estar sempre fortes para fazer essa defesa do meio ambiente para respirarmos melhor, nos alimentar de maneira saudável. Além disso, nós mulheres temos o chamado para continuar lutando pelas mudanças necessárias”, disse.

 

A lixóloga da rede global Wiego (Mulheres no Trabalho Informal Organizado) no Programa de Políticas Urbanas, Sônia Dias, também participou do debate e trouxe para discussão o tema: “Repensando as Relações de Gênero na Catação: mulher bonita é mulher que luta.”

 

Sônia falou sobre as desigualdades de gênero vivenciadas por mulheres que trabalham com o recolhimento de materiais recicláveis, entre elas a intimidação, o assédio e a violência de colegas catadores, além da falta de oportunidade para exercer cargos de liderança. Essas situações, segundo ela, somam-se às questões raciais e desigualdades de classe e gênero.

 

A lixóloga também ressaltou a importância da reciclagem de resíduos urbanos, por ser um dos meios mais fáceis e eficazes na redução das emissões de gases de efeito estufa, além de ser uma atividade lucrativa para milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento, a maioria delas no setor informal. “Investir no empoderamento das lideranças femininas e trazer a perspectiva de gênero para o setor é apostar no fortalecimento das estratégias ecológicas”, explicou.

 

Já a professora no Programa Transversal do Saber, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Makota Cássia Kidoialê, trouxe para o debate relatos de uma Quilombola e de sua Luta pela Igualdade de Gênero e sustentabilidade.

 

Makota lembrou, enquanto mulher de tradição no candomblé, que a relação com a água é feminina e também gera vida. A docente ressaltou a importância dos ensinamentos indígenas deixado aos escravos com relação à terra e falou da necessidade do reconhecimento da cultura e da tradição negra. “O dia 8 de março é um dia muito importante, mas nós mulheres negras temos que fazer uma reflexão, porque iniciamos o nosso processo de trabalho muito antes desse dia”, completou.

 

Para assistir ao bate-papo na íntegra acesse a página do Meio Ambiente MG no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Vp6wywEfW9I

 

 

Wilma Gomes

Ascom/Sisema